Carlos Cruchinho e Óscar Sánchez Requena partilham «Inquietações» com os alunos do 9º ano do concelho

DSC 0701Terminou nesta segunda-feira a série de encontros literários entre Carlos Cruchinho e Óscar Sánchez Requena, respetivamente autor e ilustrador do livro de poesia «Inquietações», e os 250 alunos do 9º ano do concelho de Tondela.

Foram quatro encontros, nos dias 13, 15 e 20 de janeiro, distribuídos pela Escola Secundária de Tondela, pela Escola Secundária de Molelos e pela Escola Básica do Campo de Besteiros.

Organizados pela Biblioteca Municipal Tomaz Ribeiro, em articulação com a Rede de Bibliotecas de Tondela, estes encontros integram um calendário mais alargado de atividades, apresentado sob o mote «Janeiro Cultural – Ler é uma Festa», destinado aos alunos do 9º ao 12º ano e do ensino profissional.

Partindo da obra «Inquietações», o último trabalho de ambos, as conversas tocaram assuntos tão diversos como a leitura, a literatura, o que move e inspira o indivíduo e a (re)descoberta do Mundo e de cada um de nós.

Cruchinho, com um ar provocador, gosta de dizer que escreve desde a primária para sublinhar que qualquer um pode escrever sem a preocupação de ficar perfeito. O grande marco, continua, é a publicação, porque é nessa altura que os escritos, até então privados, deixam de pertencer ao autor para pertencer ao leitor.

«Inquietações» é o segundo livro de poesia que publica. Um evento feliz que teve início num momento doloroso: o internamento de um filho no Hospital de São Teotónio, em Viseu.

Ali reúne poemas recentes e outros maturados, escritos há anos, onde sobressaem as referências à família e às questões que marcaram a atualidade. «Há que ter sensibilidade para os outros», salienta.

E esse é o significado do título, «Inquietações»: é sentir para não ficar indiferente ao Mundo. Daí, também, o coração na capa. O ilustrador Óscar Sánchez Requena explica que simboliza os sentimentos e o facto destes nos deixarem irrequietos.

No poema «E se fosse eu», Cruchinho coloca-se na posição do refugiado que deseja chegar à Europa e tem de decidir o que levar na mochila para partir. Já em «Amadurecer» revisita os sintomas da velhice, experienciados na primeira pessoa, e, em «Coup de Foudre» recorda o momento em que conheceu e se apaixonou pela esposa.

O autor homenageou ainda as gentes do Caramulo e do Campo de Besteiros com a leitura de dois poemas inéditos: «Guardiãs das Cruzes», numa alusão à Festa das Cruzes, e «Bem Comum», sobre o benemérito João Almiro.

Em jeito de conselho, Cruchinho pediu duas coisas aos alunos. Primeiro, para arriscar a fazer, pois só assim se autoconhecerão realmente. Segundo, para ler mais e mais para desenvolver ideias próprias e aprender como comunicá-las e defendê-las.

Licenciado no ensino de Português, de História e Ciências Sociais, Carlos Cruchinho é professor no Agrupamento de Escolas de Oliveira de Frades. Escritor premiado na I Edição do Concurso Literário de Prosa e Poesia, promovido pelo Festival Serranias, colabora com a Revista de Animação Sociocultural de Viseu – Anim’Arte, de Viseu, e desenvolve vários projetos na área do Teatro.

Óscar Sánchez Requena, espanhol nascido em Barcelona e crescido em Madrid, reside atualmente no concelho de Tondela. Para além de ilustrador, é fotografo e desenvolve trabalhos na área da publicidade. Trabalhou para várias editoras, destacando-se a RBA e a Hearst Magazines España.

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